13 janeiro, 2014

Canto do Deserto no Inicio dos Tempos

Num dia de sol quente de lua fria 
Desert Flowers por Sun Owl*
O homem do meio dia resolveu se casar 
Casou bonito, com moça formosa 
Que independente de dia ou de lua era sempre fogosa 

Trepavam os dois no ninho do homem que com o fogo da moça prosperou sadio
E seus filhos foram levados, João, Antonio, Severino, Justino, Damião e a pequenina Rosa
Que triste foram eles, o homem do meio dia e a moça fogosa
Sem filhos e sem fogo, sem dia e quem foi que reparou na lua?
Aquela pequena Rosa

Que no meio dos irmãos calados e gelados
Jazia suas bochechas quentes
Filhos e filha do dia e da lua
Sem cor, sem história
Sem nada
Foi tão triste que até a rima se perdeu

Damião ia ser moço bão
João ia passar a vida tentando
Antonio ia morrer de preguiça
Justino ia ser dotô
Severino ia ser esguio, moço delicado

A pequenina ia crescer, sem falar muito pensava demais, ia plantar flor de todo tipo
Ia encher o chão seco de cor
Ia ser uma história bonita
Foi o que disse o beija-flor.

L.P. Araújo


Respeitem os Direitos Autorais

02 novembro, 2013

Ei, menina




The Girl by Silent Justice*



Ei, para de fazer careta assim menina. 
Para de apertar tuas dobras 
De prender teu cabelo 
Deixa dessas besteiras. 
Sorri pra tua cara 
Solta esse cabelo 
Vai na praia, mergulha 
Deixa tua pele sentir o sol da manhã.
Ah menina 
Quanto tempo faz esse teu sorriso? 
Quantos desejos pra essa boca...
Quantas danças pros teu pés
Música!
Deixa de besteira menina
Teu sorriso torto
Tuas manias estranhas
Esses sonhos impossíveis
Deixa disso
É tudo o há
Não se deixe levar pelo olhar
Se olha menina
Se adora.

L.P.Araújo

Respeitem os Direitos Autorais

24 abril, 2013

EnLoucurassi


UMA NOTA ANTES DE TUDO -{Nesse post eu gostaria muito que parassem para apreciar a imagem que escolhi, é muito cheia de significados, não apenas pra mim, aposto que pra qualquer um que tome um tempo de apreciá-la. Na verdade, acho que este pode ser um conceito a ser aplicado para qualquer pintura - ou imagem diversa. Mesmo assim, como é de praxe, a imagem acompanha um texto-pseudo-poesia de minha autoria. Espero que gostem dos dois. E talvez reparem na mudança do padrão da cor da fonte, e até esse "marca texto" sobre tudo, é que hoje me senti meio assim: azul, num dia meio cinza.



Zachem Ya by ~i-roll-in-the-grass*
Mas o que seria das paixões sem a loucura?
O que seria de um sentimento
Sem a loucura de se doar?

O que seria a amizade sem a vontade louca de ser?
O que seria do futuro
Do passado
Das linhas que carregamos
No rosto
Nas mãos
Sem a loucura de ser louca de ter?

Todas elas
Sejam insanas
Sejam de amor
Sejam de medo
Devem ser
Porque ser louco
É amar o que não existe
Não que não exista
Mas o que não se pode ver
Amar apenas por ser louca e ver

Não é errado
Não pode ser
Foi o que o poeta disse
Consegue entender?

L.P. Araújo

26 fevereiro, 2013

Poesia de Louco




Quis fazer poesia pra sacar sua melodia
Quis fazer um fado pra na chuva com você ficar entocado
Quis fazer poesia, mas como faz poesia sem a luz do dia?
  Como escrevo essa cancão sem conhecer teu coração?
    Cantar este encantamento sem conhecer teus pensamentos
Chorar na Chuva cantar
Uma vontade de fazer certo, com medo de errar.
Um assim tão incerto e uma rede para pescar.
O pensamento aberto, aberto a imensidão
E a imensidão vazia
Sem poder colher da tua mão, o grão.
É como se fosse magia, tanta poesia vazia
Tanta rima descabida em tanta palavra perdida.
Quis fazer poesia...

L.P. Araújo
arte por Biomech44

08 fevereiro, 2013

Sua amiga


para Maria lembrar que a saudade aperta dos dois lados, 
 e que tenho falado sozinha...

Deita. No chão, na grama, na cama, no sofá, na rede não importa. Deita. Estica as pernas e mira o céu. Olha os teus pés, lá em cima. Andando nas nuvens. O céu pode ser azul se você sorrir e pode ser cinza, se assim te fizer sentir melhor. Mas hoje quero te dar um céu azul.
 Sim. Um céu inteiro azul  para você andar com seus pés. Vou te dar uma caneta também e talvez uma nuvem bem branca onde você possa escrever ou ate desenhar! Depende do que vai ser. Mas uma nuvem nesse céu azul que quero te dar você vai ter. E a caneta, sim uma caneta. De pena de alguma ave que voou tão alto, mas tão alto que trouxe as cores do arco-iris nela. E a caneta é sua. Assim como esse céu. E uma nuvem.

Pensando melhor, te conhecendo como eu te conheço vou te dar muitas nuvens, assim você não se preocupa com a economia. Não quero que você seja inteligente com seus pés apontando para o céu. Quero de você que você pare de pensar. E aponte para o céu tudo que você não pensa mais. Seja escrevendo, seja desenhando... Seja chorando. Pinta esse céu que estou de dando. Ele é grande até onde você precisar.
 Até onde você precisar amiga.

E se ainda não for o suficiente para te ajudar a dormir, eu te conto histórias de árvores velhas e estrelas. Eu compartilho minhas loucuras nesse céu que te dei, até a hora que for. Sempre que precisar.
 Sempre que precisar amiga.

Então é isso. Um céu azul. Nuvens brancas. Uma caneta-pena com as cores do arco-iris. É o meu presente para sua loucura. Que também é minha, que é de todo mundo. Mas os presentes são meus, e a amiga é sua.
 A amiga é sua.

Sua amiga, Lari

03 fevereiro, 2013

The Raven



( first published in 1845 )



Once upon a midnight dreary, while I pondered weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
`'Tis some visitor,' I muttered, `tapping at my chamber door -
Only this, and nothing more.'

Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; - vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow - sorrow for the lost Lenore -
For the rare and radiant maiden whom the angels named Lenore -
Nameless here for evermore.

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me - filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating
`'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door -
Some late visitor entreating entrance at my chamber door; -
This it is, and nothing more,'

Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
`Sir,' said I, `or Madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you' - here I opened wide the door; -
Darkness there, and nothing more.

Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortal ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the darkness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word, `Lenore!'
This I whispered, and an echo murmured back the word, `Lenore!'
Merely this and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping somewhat louder than before.
`Surely,' said I, `surely that is something at my window lattice;
Let me see then, what thereat is, and this mystery explore -
Let my heart be still a moment and this mystery explore; -
'Tis the wind and nothing more!'

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door -
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door -
Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
`Though thy crest be shorn and shaven, thou,' I said, `art sure no craven.
Ghastly grim and ancient raven wandering from the nightly shore -
Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning - little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door -
Bird or beast above the sculptured bust above his chamber door,
With such name as `Nevermore.'

But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only,
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered - not a feather then he fluttered -
Till I scarcely more than muttered `Other friends have flown before -
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before.'
Then the bird said, `Nevermore.'

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
`Doubtless,' said I, `what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master whom unmerciful disaster
Followed fast and followed faster till his songs one burden bore -
Till the dirges of his hope that melancholy burden bore
Of "Never-nevermore."'

But the raven still beguiling all my sad soul into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird and bust and door;
Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore -
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore
Meant in croaking `Nevermore.'

This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamp-light gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamp-light gloating o'er,
She shall press, ah, nevermore!

Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by Seraphim whose foot-falls tinkled on the tufted floor.
`Wretch,' I cried, `thy God hath lent thee - by these angels he has sent thee
Respite - respite and nepenthe from thy memories of Lenore!
Quaff, oh quaff this kind nepenthe, and forget this lost Lenore!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

`Prophet!' said I, `thing of evil! - prophet still, if bird or devil! -
Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate yet all undaunted, on this desert land enchanted -
On this home by horror haunted - tell me truly, I implore -
Is there - is there balm in Gilead? - tell me - tell me, I implore!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

`Prophet!' said I, `thing of evil! - prophet still, if bird or devil!
By that Heaven that bends above us - by that God we both adore -
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels named Lenore -
Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels named Lenore?'
Quoth the raven, `Nevermore.'

`Be that word our sign of parting, bird or fiend!' I shrieked upstarting -
`Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken! - quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!'
Quoth the raven, `Nevermore.'

And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the lamp-light o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted - nevermore!


- Edgar Allan Poe -

01 fevereiro, 2013

Algo

Se ha algo que temo são meus pensamentos.
Se ha algo que perco são meus pensamentos.
Smile by SpaceStar*
Se ha algo que guardo...
 são meus sentimentos.

Então algo assim tão complicado e fácil.
Então algo assim, tão meu. Tão seu.
Privado.
Me privam da voz.
Então assim, em silencio. Penso.

Escrevo ou jogo fora.
Esqueço. Como esqueço.
Tantos pensamentos, algos perdidos.
Algos pensados e desprezados.
Falta de papel, ou caneta para algo.

Algo pouco marcante.
Talvez algo impressionante.
Desejando algo inalcançável.
Assim, só algo. Mais que algo que alguém.
Mais algo que eu.

Mais algo engraçado.
Sem perder.
Sem temer.
Algo complicado...

L.P. Araújo

Respeitem os Direitos Autorais.


28 dezembro, 2012

Meu tempo não tem mais data, não tem mais hora, não tem mais número.
Lazy Sunday by Wandaa*
 Meu tempo agora é só poesia... 

L.P. Araújo

*Wandaa


Respeitem os Direitos Autorais

27 dezembro, 2012

Caneta e tinta seca

Houve um tempo em que sua caneta lhe guiava sem parar entre as linhas de seus pensamentos, e mentalmente anotava as palavras que escrevia de cada sentimento. Era incansável esse tempo, ainda que seu coração, e por vezes seus pensamentos, se cansassem de tantas anotações e sentimentos. A caneta secou. As linhas acabaram. E os sentimentos... Ah os sentimentos, criaram asas e voaram.
 Sairam de sua mente gritando, não mais escritos. Porem, agora, veja você leitor destes pensamentos, eles voltaram. Sim, voltaram. Quebrados, machucados, humilhados. Voltaram. Para se esconderem nas linhas destes pensamentos com esta caneta seca numa mente por tanto tempo vazia, com um coração  por tanto tempo, fechado. Voltaram, talvez para serem escritos ou talvez somente para perturbar a paz. Talvez a procurassem por um hospedeiro, afinal, o que são eles alem de parasitas?

Feelings by Valentinovna*
Hoje não me importa mais o que são. Não é que eu seja apática  Apenas, gosto de não ser comprometida com sentimentos. Por mais belos que sejam, e são. Sedutores. Docilmente malignos. Fáceis de apreciar, difíceis de esquecer. E ainda assim, incansavelmente retornáveis.

L.P. Araújo






















Respeitem os Direitos Autorais


10 novembro, 2012

Agora

A Lonely Old Man by Flamecandle*
Faz tanto tempo, tanto tempo que ele não o vê.  Verdade seja dita, depois a ultima vez que se sentiram e se machucaram nunca mais ele tentou alcançá-lo. Uma pena. A falta era obvia para os dois. Ele ainda não tem coragem  de correr atras, já não é tao jovem, de fato. Mas a idade não faria diferença, faria?
 Ora, do que importa isto agora? Já é tarde, já faz muito tempo. Ele não tem mais coração pra isso, nem tempo. E ele se escondeu ha tanto tempo, por tanto tempo, porque sair agora de onde estava seguro e confortável?  Sair de onde havia sido curado?

De nada adiantaria aumentar sua voz e gritar também, seria só mais noite ate que tudo tivesse fim. Já fazia muito tempo, não sabia mais nem sequer sorrir. Depois dela... Não lembrava mais do sorriso dela.

A briga que ele teve, que eles tiveram. Não era culpa dele! Ele reafirmava para si. " Foi culpa dele! Culpa dele!" Mas que culpa seria esta? Se o amor tem culpa, que culpa seria esta? Mas ele não iria atras do amor de novo, já fazia muito tempo. E ele não tinha mais tempo. Talvez mais um ano... E o amor estava escondido. Por que ele sairia de seu conforto, para onde fora subtraído?

Tantos pensamentos, tanto tempo. Sem sorrisos, sem como trocar seus medos ou seus contratempos. Por que, afinal, já fazia tanto tempo...

L.P.Araújo

Respeitem os Direitos Autorais


06 novembro, 2012

Solidão Sensível

Loneliness by SilentJustice*
Ela ansiava pela solidão, assim como um dia a temeu. Não sabia explicar seu carinho pelo silêncio,tampouco sua vontade de se criar numa bolha tão sensível como ela costumava ser. Ela se induzia ao sono, para que por algum tempo o mundo permitisse que ela não  o ouvisse,  para que percebesse que ela não é necessaria para a sua rotação, para passagem no tempo. E ela via o tempo. Sentia-o  como sentia  seu coração batendo sempre forte e inquieto, para lembra-la de que estava viva, e de que não vivia.
 Seria mesmo preciso que ela gritasse, mesmo sem voz?
Seria necessário que suas lágrimas deixassem seu esconderijo na tentativa desesperada de serem vistas e depois esquecidas?
A noite se erguia trazendo uma lua que ela nunca tirara da cabeça. As conversas que tinham, que só ela ouvia.
A luz que ela emitia  lhe colocava para dormir quando o sono não vinha e o choro não calava. A lua. Uma mãe. O choro. Sua sombra. Temia aliás aquela sombra, pensava em ser tomada pela escuridão dela, pela inveja. Gostava de estar só. Apreciava o momento em que podia se ver sem se julgar, sem ser julgada.  Sem segredos, pura, onde todos sabem quem ela é, onde não há porque vestir um rosto. Mas ela vestia. Não lhe agradava quem se tornara. Então mentia para si mesma. Com medo de ser. Com medo de existir e não sorrir. De ser lembrada, ou esquecida. Seu maior medo já era real. Ela podia ver agora, ela esqueceu de si. De quem é, ou costuma ser.

L.P.Araújo


Respeitem os Direitos Autorais

Leia - Escute




Tua fome vem, e não te larga
Assim como a doença que te mata
A fome vem e te encurrala
Como a tua cor, diziam eles,  predestinava, tua dor.

Mas, lagrima nenhuma te escorre inteiro
A seca te esconde, se escondendo dentro de cada um
Assim como a doença que já te possuía
Antes mesmo da fome te comer vivo

Tua alegria brota
Sem razão, mas sincera
Ela se encerra na noite
Dessa era de açoites

Oh! A criança que se aninha
Não caminha...
Para, descansa. 
Deixa eu fazer tua trança

Os filhos correm das armas
Seus sorrisos magros se desfazem
Sem mães.

Mãe Africa.

L.P.Araújo

14 agosto, 2012

A Mente Racional.

The Late Rain. by: purpllamas*
Me engana aquela consciência de evitar cruzar seus olhos
Procurar por onde eles andam
Saber porque eles choram
Ou sorriem...

Me engana, porque sempre vou querer saber de você
Minha mente custa a aceitar
E minha consciência insisti em acreditar não querer
Mas quero você

Meu corpo grita pelo seu
Minha boca saliva pela sua
Meu coração quer ouvir o seu bater
Meu sorriso quer ver o seu
Mas não venha.
Se perdeu? Não,

                                                                                       Esqueceu.

by: L.P. Araújo



*by: purpllamas

Respeitem os Direitos Autorais

07 agosto, 2012

Edgar Allan Poe

The Sleeper 
Edgar Allan Poe.

At midnight in the mouth of June,
I stand beneath the mystic moon.
An opiate vapour, dewy, dim,
Exhales from out her golden rim,
And, softly dripping, drop by drop,
Upon the quiet moutain top.
Steals drowsily and musically Into the universal valley.
The rosemary nods upon the grave;
The lily lolls upon the wave;
Wrapping the fog about its breast,
The ruin moulders into rest;
Looking like Lethe, see! the lake
A conscious slumber seem to take,
And would not, for the world, awake.
All Beauty sleeps!-and lo! where lies
(Her easement open to the skies)
Irene, with her Destinies!



Oh, lady bright! can it be right-
This window open to the night?
The wanton airs, from the tree-top,
Laughingly through the lattice drop-
The bodiless airs, a wizard rout,
Flit through thy chamber in and out,
And wave the curtain canopy
So fitfully - so fearfully -
Above the closed and fringed lid
'Neath which thy slumb'ring soul lies hid,
That, o'er the floor and down the wall,
Like ghosts the shadows rise and fall!
Oh, lady dear, hast thou no fear?
Why and what art thou dreaming here?
Sure thou art come O'er far-off seas,
A wonder to these garden trees!
Strange is thy pallor! strange thy dress,
Strange, above all, thy length of tress,
And this all solemn silentness!

The lady sleeps! Oh, may her sleep,
Which is enduring, so be deep!
Heaven have her in its sacred keep!
This chamber changed for one more holy,
This bed for one more melancholy,
I pray to God that she may lie
For ever with unopened eye,
While the pale sheeted ghosts go by!

My love, she sleeps! Oh, may her sleep
As it is lasting, so be deep!
Soft may the worms about her creep!
Far in the forest, dim and old,
For her may some tall vault unfold -
Some vault that oft has flung its black
And winged panels fluttering back,
Triumphant, o'er the crested palls,
Of her grand family funerals -
Some sepulchre, remote, alone,
Against whose portal she hath thrown,
In childhood, many an idle stone -
Some tomb from out whose sounding door
She ne'er shall force an echo more,
Thrilling to think, poor child of sin!
It was the dead who groaned within.

Edgar Allan Poe, 1845

Lembranças inventadas

Mediterranean Street.
*zersen
Ainda lembro daquele dia quando te vi sentada na calçada do cruzamento de fim de rua, sob o sol alaranjado. E você brincava com gatos selvagens. Lembro que você chorava, mas que sorria pra eles.
 Lembro da sua tristeza.
 E jamais esqueci seu sorriso.
Lembro da rua vazia, e que você se escondia. Lembro dos seus olhos cheios e que eles escorreram. Lembro do colo que você dava aos gatos, quando era colo o que você queria. Lembro do sol começando a tocar o horizonte, de você desaparecendo. De mim esquecendo.
 Lembro da saudade. Só saudade. O resto eu inventei.
E da invenção procuro te trazer de volta,, mas você se esconde dentro de mim e eu te perco.

 Preciso de você menina, de tudo que tu sentes, da tua inocência infeliz e do teu medo maduro. Preciso de tu criança, para aprender a ser você. Já esqueci de tudo. De tanto. E ainda esqueci você.


artista da pintura: *zersen                                                                                                                                              by. L.P.Araújo



Respeitem os Direitos Autorais

29 julho, 2012

Nua

                                                                        Virou as costas pra mim e me feriu
Mulher nua contemplando seu corpo.
Salvador Dali. 
Deixou meu corpo em partes
Vazias
Levou consigo meu amor

Deixou a solidão
Arrancou minha cor
Esfolando minha pele
Me escondendo entre pilastras

Sorriu quando me viu
Mas não olhou pra mim
Nem sequer disse "Adeus"
Mas deixou o "Eu te amo" ecoar...

Pensou em ficar
Mas preferiu partir
Me deixando parir a dor que construímos
Sozinha.

by: L.P. Araújo

Respeitem os Direitos Autorais


20 julho, 2012

Expressão.

La Gioconda, 1503. Leonardo Da Vinci.
Quero uma expressão. Qualquer uma.
Uma, talvez, que mostre a minha alegria...
Ou, quem sabe, uma que me faça sentir a alegria.
Talvez ainda, uma triste, mas que expresse o que sou.

Quero um sentimento, além da dor.
Uma palavra além do abraço.
Um toque, além do amor.
Um "Te amo"...
Além da morte.

Quero um passarinho que corte o vento
Talvez um ninho, eu quero.
Ensinamentos de sabedoria, eu quero de volta.
Quero tanto. Não tudo. O suficiente pra mim.

Quero deixar de querer.
Deixar de sentir.
Deixar de sofrer.
Sem deixar de sorrir...

by: L.P. Araújo

Respeitem os Direitos Autorais

19 julho, 2012

Aurélio.






Eu sei que o que sinto tem um nome.
Mas preciso procurar no Aurélio, palavra por palavra.
Então me dê um tempo.

O Estranho.

Sem nome ou autor.
Se alguém souber favor informar.
Ele teve uma ideia, uma que ele mesmo não entendera a logica. Mas sabia que podia funcionar. Era algo tão irracional, tão sem sentido, sem propósito. Mas ele já estava decidido, iria levar a ideia pra frente. Ele aproveitou a noite, que estava mais escura que o habitual, e se aproximou da janela, lentamente, surdamente. Mas nada viu. Logo na noite em que ele se preparara para o encontro, o estranho não apareceu. As luzes de sua casa estavam apagadas, e no caminho de volta ao quarto ele viu o intruso ao cruzar o espelho. Mas não reagiu. Na noite seguinte, quando chegou em casa, se aproximou da janela para apreciar a vista da cidade, com suas luzes acesas. A noite era clara. Não demorou, e o estranho apareceu. Sem hesitar ele ergueu a arma e atirou no estranho. Ele mirou a cabeça, e o acertou, pelas costas. No mesmo instante ele caiu. Morto. Com lascas de vidro cravados em seu rosto. O estranho, com aquele rosto que ha tanto tempo rondava a casa. Cruzando em espelhos e janelas. Sem nunca ter se visto, ele não se reconheceu. E morreu. O estranho manteve-se em pé, zombando da loucura de seu semelhante.

by: L. P. Araújo
Respeitem os Direitos Autorais.

05 julho, 2012

Não

Ao meu pai. Saudades.
O Cadáver, de 1894. Sem nome do autor.

Não tenho fuga
Não tenho saida
Não há placas
Não tenho mapas

Não vejo a estrada
Não há caminho
Não tenho lágrimas
Não tenho armas

Não tem porquê
Não devia acontecer
Não tem fuga
Não tem saida

Não, não
Não
Não
Estou vivendo em negação.

by: L.P. Araújo

Respeitem os Direitos Autorais

30 junho, 2012

O amor e a razão

Se alguém souber de quem é esta pintura
e nome da obra, por favor me comunique!
Se me perguntarem
Direi-lhes a verdade
Que minha razão...
Superou o amor


Fortaleceu o medo
Destruiu outros amores
Entristeceu a alma
Enriqueceu o orgulho


Humilhou a admiração 
Pôs uma pedra no meu caminho.
No fim, a razão descobriu o amor
E o amor ensinou a razão de amar.


by: L. P. Araújo





Respeitem os Direitos Autorais.

24 junho, 2012

Lavando a alma

Sofia Barreto, pintura em Papel Canson.
Peguei a velha lamina e abri o pulso
Vi o sangue dançar com a água
E deixei que escorresse
Senti o sangue correr entre os dedos

Vi a pele esbranquiçar 
E o pulso parava de latejar
A cor que se via era rubra
A dor que se sentia era pura

A cor ainda é rubra
A dor...
Existia
E tudo escorria...


by: L.P. Araújo


Respeitem os Direitos Autorais

21 junho, 2012

Ai se Sesse

Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntin nois dois vivesse
Se juntin nois dois morasse
Se juntin nois dois drumisse
Se juntin nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porem se acontecesse
de São Pedro não abrisse a porta do céu e fosse dizer qualquer tulice
E se eu me arreminasse
E tu cum eu insistisse
Pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Da vez que nois dois ficasse
Da vez que nois dois caisse
E o céu furado arriasse
E as virgi toda fugisse...

- O Poeta Zé da Luz. - { Disseram pra ele que pra falar de amor era necessário um português correto}